domingo, 2 de outubro de 2011

Estava ouvindo uma música de Alceu Valença e lembro claramente da frase "na primeira manhã que te perdi, acordei mais canso que sozinho". Tem imagem mais clara do sofrimento do que essa? Engraçado que quando sofremos, por mais que seja emocional, a dor parece ser física. Não é a toa que quando se é traído é comum ouvir a expressão "levei uma facada pelas costas". É bem por aí. Machuca como um corte, uma pancada, como se diz na minha terra: uma "pisa". O pior é que para essas situações parece não ter remédio, não há solução, analgésico capaz de atenuar, amenizar ou simplesmente fazer a dor passar. Dói incessantemente mas, como toda ferida, uma hora sara, uma hora se fecha, leve mais ou menos tempo, uma hora parece que nunca existiu. Pois é! Tendemos a esquecer como sofremos anteriormente e quando acontece novamente é como se fosse a primeira vez, no entanto há apenas a certeza de que uma hora vai passar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Aluno: expectador ou espectador?

Já no início dos meus estudos sobre educação aprendi que ensinar vai além da simples transmissão de conteúdos, que os alunos não são um receptáculo de informações, que a avaliação deve ser holística e ainda, que devem ser levados em conta os conhecimentos prévios, bem como o histórico dos alunos.

No entanto, não é isso que vejo na prática. Cada dia me deparo com crianças mais tristes e insatisfeitas.

Vejo que o projeto político pedagógio das instituições é meramente decorativo, nada que foi escrito realmente entra em vigor, uma Utopia perto do que é feito no dia-a-dia nas escolas.

Como justificar o fato de um aluno o qual sempre foi presente e participativo, partir para uma recuperação simplesmente por ter tirado 6,9 quando a média é 7,0?

Onde estão os princípios da didática e da educação?

Onde estão o histórico e a avaliação do todo do aluno?

Perderam-se! Ficaram esquecidas em algum lugar entre o PAS e o vestibular ou os concursos públicos...

Assim como perderam-se as ideias de se fazer uma educação nova, formadora do cidadão.

A realidade é bem diferente do que prega Freire, por exemplo "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo". O que é visto são professores detentores de todo o saber e INDISPOSTOS a passar esse saber adiante, ou interessados em tornar a tarefa tão difícil que os poucos que ainda conseguem, o fazem fora da escola, com auxílio extra.

A avaliação é quantitativa, somativa e descriminatória. Sim, descriminatória por não levar em consideração uma série de fatores que possam vir a influenciar o desempenho daquele aprendente. Aprender vem se tornando uma tarefa árdua e nefasta.

Nesse contexto, o aluno é apenas o espectador, aquele que apenas assinte e não possui opinião crítica alguma, pois não consegue formá-las, deixa de ser expectador e ter expectativa de que algo mude.


"Ninguém nasce feito, é esperimentando o mundo que nós nos fazemos" Paulo Freire.

sábado, 22 de maio de 2010

Sun rise



Hoje nasceu o sol, um sol tímido, um pouco escondido por entre as núvens.



Hoje nasceu o sol, um sol de amerelo fraco, que lutou para ultrapassar a barreira que a sua frente se postava.



Hoje nasceu o sol, um sol que independente das dificuldades, nasceu para brilhar.



Sol que chega no início do inverno e ainda assim é quente, calosoro, inquieto, amarelo-ouro, brilhante.



Hoje nasceu o sol que inunda minha vida de luz e a enche com o frescor da primavera e a legria do verão.



Hoje nasceu a luz, nasceu Beatriz.

Happy Birthday

De repente seu aniversário não é mais feriado nacional. Quando não cai num fim de semana, pior ainda, trabalho e afazeres nem deixam você lembrar direito de que esse é um dia especial, ou pelo menos, deveria ser.

Ao lado da cama nada de baú com figurinhas multicoloridas, canetinhas com cheiro de frutas e guloseimas. Os telefonemas não são muitos, visto que o orkut substitui grande parte desse contato, ai sim.... muitas mensagens, scraps para dizer melhor.

Ninguém mais para a aula pra cantar parabéns. Festa surpresa, nem pensar. Ainda me lembro da minha. 15 aninhos, com direito a videokê (era moda na época), ovo na cabeça, muitos amigos, eu vestida de jeans, camiseta e havaianas (sim, por que eu realmente não sabia da surpresa, não foi aquele tipo de festa que a pessoa sabe, escolhe a roupa e maquiagem, juro que não sabia), era sem dúvida a mais mal vestida da festa, ainda assim era a mais feliz, afinal, para mim, era feriado nacional.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O homem é um ser interessante. Tão espertinho pra umas coisas mas pra outras...
Estamos no carro, ele está dirigindo, você fala pra "lá", aponta e ele não entende que é pra esquerda...
Além de sinais ele não entende o valor semântico das palavras.
Falamos "compromisso" e ele entende "prisão"
ai falamos "casamento", ele entende... Prisão perpétua
Falamos em carinho e ele entende CAMA
Falamos amor e ele entende CAMA
Ai brigamos e dizemos "tá bom, vamos dormir que é o melhor que a gente faz" e ele ....
Dorme!!!!

sábado, 13 de março de 2010

The End

Morreu, se foi, partiu dessa para uma melhor, ou não. Essa semana se foi um amigo do meu pai, simples assim, do nada, no dia anterior estava tomando cerveja! Nada mais natural se levarmos em consideração que o principal pré-requisito para se morrer é estar vivo. Pois é, foi-se e assim como tantas pessoas deixou família, amigos, nem sei se um legado.
Quantas pessoas morrem sem deixar nada, nem ensinamento, quantas pessoas morrem sem nem saber o que é um legado? Me questiono sobre isso as vezes.
Passamos a vida correndo atrás de dinheiro como cães atrás de um pedaço de carne, ou melhor, atrás daquela bolinha que não podem comer, chegam perto mas nunca a tem de verdade, e num dado momento, tudo acaba, o que ficou de fato?? Lembranças na vida da pessoa amada? E se ela nunca foi realmente amada? Imóveis, jóias, carros, e se forem vendidos?? A memória vai junto?
Há pessoas inteligentes que aprendem que a busca desenfreada pela bolinha não é pelo fato de ter a bolinha em si, mas sim um instrumento de se atingir a felicidade mesmo que momentânea, tendo em vista que a felicidade é um estado temporário da alma.
Outros são mais inteligentes ainda e aprendem que a bolinha pode servir para proporcionar momentos agradáveis para alguém, trazer a felicidade, mesmo que momentânea, para alguém, seria isso um legado??

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Catarse

E num dado momento o que se via era uma luz branca, muito branca... E eu só conseguia pensar que não estava mais grávida. A palavra pesa... Estar grávida pra mim não foi algo divino, maravilhoso, ou qualquer outra coisa que ouvimos falar por ai. Foi difícil, assustador e acima de tudo, constrangedor.
No final das contas Deus até deu uma mãozinha e me deixou presa num quarto, isolada do mundo para me poupar de ver olhares julgadores ao meu redor, me poupar de me explicar, sim por que explicações são sempre necessárias, como se ninguém soubesse como as coisas acontecem. Eu já sabia antes de fazer... todo mundo sabe, mas tem que perguntar e somos sempre obrigadas a responder com naturalidade, como se achássemos natural, não é natural, acontece, mas não é natural, como se estivéssemos felizes, eu não estava feliz, estava triste, vivendo e morrendo dentro de mim existia alguém, que eu nem conhecia e que seria obrigada a conviver para sempre. Duro isso né?
Pois é, não estava mais grávida, ter uma filha era menos traumático do que dizer a todos que estava GRÁVIDA, que horror!!
Nasceu, hospital, um mês, sofrimento, aproximação, conformação e enfim a amor foi se fazendo presente, mais que qualquer outro sentimento de culpa . Minha vida hoje é bem diferente do que eu gostaria que tivesse sido a um tempo atrás, mas ainda assim é precisosa por ter alguém que sou obrigada a conviver, que enche não só os meus dias, mas o de todos de alegria e esperança de que tudo amanhã será sempre melhor.